Eu sou tão velho!




Eu fico pensando, porque eu sou tão velho? É realmente uma merda ser velho. Sou rabugento, um total filho da puta egocêntrico. Sou tão velho, que adoro gatos e odeio barulho de criança correndo e gritando na minha volta. Sério, eu acho que eu vou ser aqueles velhos que moram sozinhos com 66 gatos em uma casa velha com um jardim extremamente arranjado. Pois é sempre nesse tipo de jardim que as bolas de futebol caem. Isso vai me deixar puto.
Eu sou cheio de manias chatas, que irritariam até o Gandhi (que é um velho). Vou listar algumas das minhas manias chatas pra que você tenha ainda mais raiva de mim. O Velho:

- Eu odeio comer no silêncio, porque o barulho de boca mastigando ou o meu pai que come e depois da uma sugada (sim, uma sugada) no café para molhar o pão, me irritam profundamente. A solução é escutar o programa de esportes que passa no radio.

- Eu odeio falar ao telefone. Na verdade eu odeio telefones. Depois que a ligação passa dos dois minutos eu começo a ficar em silêncio, para que a pessoa do outro lado da linha comece a ficar constrangida e se convença de que a melhor opção no momento é desligar. Eu geralmente desligo xingando e resmungando.

- Quando chega 8h30min da noite, eu tenho um ataque súbito de sono, porque eu sempre dormi muito cedo. Desde pequeno eu já era um velhinho em miniatura.


- Constantemente eu não tenho vontade de falar com ninguém, mas me obrigo, pois vivo em uma grande cidade onde existem elevadores, ônibus e velhos chatos que puxam assunto na fila do super mercado.

Se enganam as pessoas que acham que eu sou infeliz assim. Não! Eu sou muito feliz, só não gosto de ficar rindo o tempo todo e fazendo piadinhas de tudo pra agradar os outros. Meu nome poderia ser Benjamin. Ser velho é algo bom, não me importo com o resto.
Agora tenho que dormir. Já estou carrancudo. E com fome. E puto com os latidos do cachorro do vizinho.

2 comentários:

Fabi Begnini

Muito bom Renan! Sinceridade é tudo! Mas, confesso que tô morrendo de rir aqui..... não te imagino tãaaaaao assim... rsrs
bjsss

Consultora em Educação

Como conviver com o idoso

Ivone Boechat (autora)

1- Nunca pergunte a um idoso: qual é o segredo de viver tanto assim? Porque a pessoa não vai lhe convencer ou vai dizer que não sabe a resposta. Quem vai adivinhar como se vive anos e anos, com tanta virose, corrupção, mentira, tapeação, bala perdida, exploração... ruindade!
2- Nunca telefone ou visite um idoso entre 12:00h e 16:00h. TODO idoso gosta de descansar nesse período sagrado.
3- Jamais conte um problema ao idoso. Ele vai poder ajudar? Também não seja o problema do idoso: é covardia. Ele não vai ter como se defender.
4- Nunca interfira na decisão do idoso: se ele decidiu ser enterrado ou cremado. Não fique reclamando do preço da cremação, do túmulo..Nem fique agourando e perguntando o que a família deve escrever por cima do túmulo.
5- Nunca diga ao idoso: essa história você já me contou dez vezes. Diga a ele que a história é interessante e o ajude a resumi-la. Ele vai entender que a história é conhecida!
6- Não estimule o idoso a se lembrar de um fato que lhe cause sofrimento. Desvie sempre a tristeza para o lado bom de tudo.
7- Não explore a disponibilidade do idoso, lembre-se que ele já trabalhou muito e hoje não tem mais resistência, saúde e vigor para tomar conta de problemas e cachorros... dos outros. Deixe em paz o cartão bancário com o pagamento da minguadíssima aposentadoria. Vai à luta!
8- Mude o canal da TV quando o assunto é desgraça!
9- Ao visitar o idoso, leve algo que lhe faça bem à saúde: boa conversa, estímulos, boas notícias... palavras cruzadas, linha para crochê... uma fruta que ele possa consumir... um livro. Nas festas de aniversário e Natal, seja criativo! Chega de tanto pijama e chinelo.
10- Lembre-se: a pessoa idosa tem todo direito à felicidade e não vai ser você que vai atormentar os derradeiros dias da vida de ninguém. Exercite a gratidão, o perdão, a solidariedade e chega de despejar lixos de traumas, tristezas antigas e carências na caçamba emocional que a vida cismou de colocar na porta de quem lutou tanto para resistir às intempéries.

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